Os colombianos adoram festa e futebol, mas advertem que o excesso de informalidade brasileira às vezes causa estranhamento
Brasil e Colômbia compartilham 1,6 mil quilômetros de fronteira. E apesar da proximidade e de algumas paixões em comum – o futebol e o cafezinho são venerados nos dois países –, alguns hábitos culturais ainda marcam bem as diferenças entre os dois povos. Ter em mente essas particularidades é fundamental na hora de dizer ‘Olá, Turista!’ aos torcedores colombianos que eventualmente pintarem por aqui durante a Copa de 2014.
E para entender a cultura e as percepções do povo colombiano a respeito do Brasil, a equipe do Olá, Turista! conversou com o engenheiro Álvaro Aponte, de 26 anos. Ele nasceu na Colômbia, mas há cinco meses está morando no Rio de Janeiro. Nesse pouco tempo, ele admite ter estranhado certos comportamentos dos cariocas, mas nada que prejudique suas impressões sobre a vida na Cidade Maravilhosa.“Não sei como é no resto do Brasil, mas aqui no Rio notei que as pessoas falam com qualquer pessoa com naturalidade, como se ela fosse um membro da família. Ainda estranho quando conheço um homem brasileiro, pois ele vai te abraçar, tocar e, para se despedir, dizer ‘abraços’, sendo que acabamos de nos conhecer”, observa, aos risos.
Álvaro diz que, na Colômbia, esse tipo de postura só é adotada ”com os melhores amigos ou familiares”.
E lembra que o excesso de intimidade e informalidade também é percebido nos ônibus e no trato com os motoristas e cobradores. De todo modo, o rapaz garante que a disposição do brasileiro em ajudar estrangeiros põe fim a qualquer embaraço.
“Acho engraçado quando peço uma informação e eles falam conosco como se fôssemos amigos de longa data. Mas fazem de tudo para entender o que estamos falando e qual o local aonde queremos ir,” explica.
Mas apesar de a amabilidade e a gentileza dos brasileiros terem surpreendido o jovem colombiano, a falta de conhecimento em outros idiomas – e do espanhol, em particular – é visto por ele como um deslize.
“Os brasileiros precisam entender que estão em um continente de hispanohablantes”, diz, dando como exemplo o fluxo intenso de turistas no Brasil e que falam espanhol. “Além disso, o inglês é o idioma universal e imprescindível para atender quem vem de fora”, emenda.
Temas sensíveis
Na relação com turistas de qualquer país, existem certos temas sensíveis que devem ser evitados. E com os colombianos não é diferente. Álvaro Aponte dá a dica de alguns assuntos mais delicados que podem incomodar seus conterrâneos.
“Nunca fale de drogas ou guerrilhas, pois é fácil conhecer pessoas que tiveram um membro da família sequestrado ou morto pelos guerrilheiros”, alerta. Com relação às drogas, o engenheiro revela que, apesar da imagem construída nas últimas décadas, o consumo de entorpecentes na Colômbia é inferior ao que as pessoas imaginam.
Mas há também temas sobre os quais os colombianos adoram dar opinião. Álvaro elenca, pelo menos, três deles: estudos, futebol e festas – não necessariamente nessa ordem. Ele lembra que os três, aliás, são as principais curiosidades que seus amigos guardam em relação ao Brasil.
“O futebol é uma grande paixão na Colômbia, mas não se compara com o Brasil, onde até o time do bairro mobiliza torcedores. Na questão dos estudos, a possibilidade de convênios com universidades de outros países é atraente para nós, que pagamos caro para estudar. E sobre as festas, bem... essa é a principal curiosidade dos meus amigos”, brinca.
Um último toque: se a ideia é chamar atenção de um colombiano, convém evitar o brasileiríssimo “pshhh”. Álvaro diz que isso é considerado grosseria por aquelas bandas. Mas reconhece que até ele, apesar do pouco tempo de Brasil, já incorporou alguns dos hábitos cariocas. E conta que precisou justificar ‘certos modos’ para a família quando foi revê-los no Natal do ano passado.

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