Nicolas Krassic é músico, mora no Rio de Janeiro há 10 anos e dá suas impressões sobre as diferenças culturais entre brasileiros e franceses.
Nascido em 1969 na periferia de Paris, o violinista Nicolas Krassik mora no Brasil desde 2001 – nesse período, jamais trocou o Rio de Janeiro por outro lugar. O francês se diz adaptado ao país e à nossa cultura, e afirma que torce pelo Brasil em toda Copa do Mundo.
“Eu vim pra cá com a intenção de pesquisar sobre a música brasileira, pensando em ficar por apenas uns seis meses. Acabei ficando por mais tempo porque me senti muito à vontade. A música e o povo brasileiro me conquistaram e logo consegui trabalhar”, recorda o músico.
Perguntado pelo Olá, Turista! que diferenças traçaria entre Brasil e França, ele não titubeou em apontar sua especialidade.
“Aqui a música está sempre presente, o brasileiro é um povo muito musical. Senti uma energia muito forte em relação a isso, o que me deu vontade de estudar e praticar mais o meu instrumento [violino] pra poder frequentar rodas de choro e de samba, tocando os clássicos daqui”, comenta.Mas sua relação com a música brasileira já era forte antes mesmo de desembarcar por aqui. E Krassik faz questão de lembrar que foi ela que o ajudou a lidar bem com as dificuldades do idioma. “Eu já sabia falar um pouco, pois tinha frequentado muito o meio brasileiro de Paris, e escutado muita música brasileira. Isso me ajudou bastante. Hoje em dia, é tudo muito natural pra mim. Eu penso e até sonho em português”, brinca o violinista.
‘Papo cabeça’
Krassik lembra que o convívio social também é outro ponto importante que distingue o comportamento de brasileiros e franceses. Jantar com amigos e familiares é o que mais lhe dá saudades. Segundo ele, esse é um momento bastante valorizado em seu país.
“O francês gosta mais de se encontrar pra bater papo sério, assuntos profundos. Já o brasileiro, sem querer generalizar, me parece que gosta mais de encontrar os amigos, tomar umas cervejas com um bom churrasco e conversar sobre assuntos mais leves, brincar e falar de futebol. O que também é bom demais”, observa.
O músico aproveita e chama atenção para o que considera ser um ’mito’ a respeito da culinária francesa. “O brasileiro imagina que todo francês come bem, por causa da fama que a culinária francesa tem. Isso não me parece verdadeiro. O francês comum não se alimenta tão bem assim, e nem sempre é bom cozinheiro”, adverte.
Verdade ou não, o fato é que Krassik diz ter se encantado pelos nossos quitutes . “Eu me adaptei muito bem à culinária brasileira”, garante ele, citando feijoada, acarajé e farofa de ovo como seus pratos favoritos.
“Talvez tudo isso seja um pouco pesado demais pra mim, mas eu acho bom! Além disso, descobri as churrascarias e comidas a quilo. Fiquei apaixonado com a possibilidade de misturar tudo à vontade, e experimentar várias coisas numa mesma refeição. Achei perfeito”, elogia.
Legado da Copa
Música e boa mesa à parte, o violinista diz acreditar que o brasileiro poderá fazer bonito na recepção aos turistas durante a Copa de 2014. “Apesar de tudo parecer bem atrasado, o brasileiro sabe se virar e no final dá tudo certo”, diz.
Mas ainda assim, Krassik dá seu recado: “Gostaria apenas que as coisas que estão sendo feitas para a Copa possam continuar depois”, conclui.
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