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O Brasil dos ingleses  Compartilhe
26 de abr de 2010

Eles se encantam com nosso futebol e derrubam antigos estereótipos sobre pontualidade e formalidade.

Ingleses e brasileiros têm muito em comum quando o assunto é futebol. Afinal, o inglês Charles Miller trouxe o esporte para o Brasil no início do século XIX, que incorporou imediatamente à sua cultura, camisa, short, meião e chuteiras. Não é surpresa constatar que a paixão pelo jogo mais popular do mundo una as duas torcidas. Na Copa de 2014, não tenha dúvidas: muito inglês vai querer acompanhar de perto as partidas do torneio. Claro, isso se a Inglaterra se classificar.

O professor de inglês Jack Ruane (foto), de 23 anos, se diz um apaixonado por futebol e pelo estilo de vida dos brasileiros. Veio morar no Brasil no início do ano para aprender português e torce para conseguir estar aqui na Copa de 2014, pois adora o jeito de torcer do brasileiro.

Ele considera a Inglaterra e o Brasil bem semelhantes no futebol, mas aponta algumas diferenças. “O Brasil não tem regras tão rigorosas como a Inglaterra, que já sofreu muito com brigas de torcidas. Aqui os jogos são espetaculares, com música, foguetes e bandeiras. É impressionante”, destaca.
 
Conhecidos como sérios e fechados, os ingleses fazem questão de mostrar que se identificam com o estilo de vida do brasileiro. A cineasta inglesa Vik Birkbek, de 58 anos, chegou ao Brasil em 1975, para passar alguns dias, mas acabou ficando de vez. “Cheguei sem falar uma palavra de português e nas primeiras semanas sofri muito por causa do calor. Praticamente não saía de casa, depois acabei me acostumando. Fiquei encantada com a praia e a liberdade das pessoas que aproveitam muito a vida ao ar livre”, recorda. 
 

 
Ela diz considerar linda a festa em torno do futebol, mas confessa que foi outra faceta marcante da cultura brasileira que lhe chamou atenção. “Me apaixonei mesmo foi pela capoeira, tanto que aprendi a jogar”, revela a inglesa.
 


Pontualidade britânica... Será?

Jack Ruane elege a espontaneidade e a generosidade como algumas das características do brasileiro que mais ajudam na adaptação de quem vem de outro país. “Todo mundo que conheci estava disposto a me ajudar e fazia isso da maneira que podia”, explica.

Mas quando o assunto é o perfil do turista inglês, ele diz discordar da visão corrente que predomina no Brasil. “Não acho que sejamos muito formais, acredito que o bom humor é uma característica da nossa cultura”, pondera.

Estereótipos
como esse, que apontam a formalidade e a pontualidade como principais características dos ingleses, também caem por terra. Vik Birkbek confessa que, no seu caso, chegar no horário nem sempre é fácil, mas entrega o jogo e conta quais são os comportamentos considerados abomináveis por seus conterrâneos.  

 

“Prezamos a boa educação. Palavras como ‘por favor’ e ‘obrigado’ fazem parte do
nosso vocabulário desde que nascemos. A questão da fila é outro hábito respeitado
e que aqui deixa a desejar. É importante que, ao atender o turista, a postura cordial
e atenciosa esteja sempre em primeiro lugar”, destaca.
 

 

Acostumada a receber amigos no Rio de Janeiro, onde mora, Vik chama a atenção para outro ponto que precisa ser priorizado para a Copa do Mundo. “Os profissionais que recebem turistas estrangeiros precisam falar outras línguas, principalmente o inglês, que é universal. Deixo de indicar para muitas pessoas lugares como museus e outros pontos fora do roteiro convencional, pois sei que eles não terão prestadores de serviço bilíngues”, revela.
 

 

Foto da chamada: Coleção Marcos do Mundo e Viagem/ Getty Images/ Photodisc/ Fotosearch.

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